Musas de Twin Peaks

Para homenagear o retorno de Twin Peaks, nada melhor do que relembrar algumas das lindas personagens que passaram pela série. Como se esquecer delas?

1. Laura Palmer (Sheryl Lee)

Sheryl Lee - Twin Peaks

2. Shelly Johnson (Mädchen Amick)

Mädchen Amick - Twin Peaks

3. Donna Hayward (Lara Flynn Boyle)

Lara Flynn Boyle - Twin Peaks

4. Audrey Horne (Sherilyn Fenn)

Sherilyn Fenn - Twin Peaks

5. Norma Jennings (Peggy Lipton)

Peggy Lipton - Twin Peaks

6. Jocelyn Packard (Joan Chen)

Joan Chen - Twin Peaks

‘Twin Peaks’: por que o frenesi com volta de série lançada há 26 anos

Um sonho sem limites (Gus Van Sant, 1995)

Um sonho sem limites – no original, To die for -, primeiro filme do diretor Gus Van Sant para um grande estúdio, já indica nos seus créditos iniciais do que se trata em linhas gerais: uma comédia de humor negro com uma trama barata de assassinato, na linha dos programas televisivos sobre crimes que fazem sucesso entre o público das classes média e baixa nos Estados Unidos (e no Brasil também, naturalmente).

É interessante como o filme consegue usar bem a metalinguagem para narrar a trama: sua narrativa funciona como se fosse um documentário televiso sobre o crime que será retratado, planejado pela protagonista (Nicole Kidman em um dos papeis que alavancaram sua carreira), cujo objetivo máximo de vida consiste justamente em alcançar o sucesso na televisão. Em determinado momento, a personagem expõe sua filosofia com as seguintes palavras: “Não somos ninguém na América se não estivermos na TV. Para que fazer algo importante se ninguém está vendo?”.

Pois bem, neste pseudocumentário os personagens dão seus depoimentos sobre os acontecimentos, que são retratados paralelamente no “filme propriamente dito”. Dentre esses personagens, encontram-se colegiais que acabam sendo seduzidos por Nicole Kidman – mas quem não seria? – para executarem o crime planejado: Joaquin Phoenix (que seguramente pode ser considerado um dos grandes atores dos últimos vinte anos), Casey Aflleck (vencedor do último Oscar) e Alison Folland. Interessante registrar que o filme ainda tem uma participação inusitada de David Cronenberg perto do final.

Enfim, uma trama de assassinato barata, levada adiante pela deslumbrante femme fatale, que muito provavelmente sofre de algum tipo de psicopatia e narcisismo em grau avançado, que nos faz lembrar “a malvada” de All about Eve, mas sem o glamour do mundo do teatro – muito pelo contrário, já que estamos falando da televisão de mais baixo nível, repleta de sensacionalismo, vulgaridade e alienação.

Não é exatamente um grande filme, mas vale a pena a sessão, especialmente porque carrega em praticamente todas as cenas a presença iluminada de Nicole Kidman, no auge de sua beleza, utilizando de toda a sensualidade que possui para dar vida à sua personagem, como pode ser visto nos screens abaixo (verdadeira razão de ser desta publicação, devo admitir).

nicole kidman to die for

to die for 2

to die for

to die for 9

to die for 10

Cotação: 3.5/5

O Massacre da Serra Elétrica 2 (Tobe Hooper, 1986)

texas-chainsaw-massacre-2

Vou ser franco: acho que esse filme veio da minha frustração com a comédia do primeiro filme não ter sido valorizada ou compreendida. Então eu amplifiquei os aspectos engraçados dele, mas ao mesmo tempo Tom Savini (responsável pelos efeitos especiais de maquiagem) fez tudo tão anatomicamente correto que o filme acabou nem recebendo uma classificação. Eu gosto do filme enquanto uma comédia maluca, bizarra, exageradamente sombria, mas falhei em fazer o que o público esperava do filme, que era assustar muito e dar um pouco mais do que haviam experimentado no primeiro filme. Uma de suas falhas é que infelizmente muito tempo foi gasto com a Família da Serra Elétrica. Você ficava conhecendo a família e sua insanidade bem demais e isso desmistificou os elementos potenciais de horror. Eu gosto desse filme também, mas preciso dizer que certamente não é a continuação essencial. Foi parte de um acordo de negócios, e eu me diverti fazendo, em prejuízo do próprio filme. Às vezes fazemos coisas pelos motivos errados.

Tobe Hooper

Círculo do Medo (J. Lee Thompson, 1962)

Um dos maiores temores de Martin Scorsese em refilmar Cape Fear pode ser resumido na seguinte declaração do próprio diretor: “The original was so good. I mean, you’ve got Gregory Peck, Robert Mitchum, Polly Bergen, it’s terrific!”. Concordo plenamente com Scorsese: o original, dirigido por J. Lee Thompson, é sensacional, formidável, tremendo! É uma obra-prima do cinema.

Sem querer fazer comparações mais aprofundadas com os dois filmes, considero o original superior à refilmagem. Não só porque os personagens interpretados por Robert Mitchum (uma das maiores atuações de sua maravilhosa carreira) e Gregory Peck (que no mesmo ano viveu Atticus Finch em O sol é para todos) são mais intensos e carismáticos do que os personagens de Robert De Niro e Nick Nolte, mas também porque o filme de 1962 me parece muito mais obscuro e subversivo, especialmente se considerarmos a época em que foi lançado. 

Ora, no começo da década de 1960 a censura interferia muito mais na indústria cinematográfica, os costumes eram completamente diferentes, assim como a moral predominante. Aquilo que hoje parece brincadeira de criança naquela época poderia agredir severamente a família e a sociedade, e por isso mesmo ser severamente combatido pelas autoridades competentes. Então, partindo dessa consideração histórica, não há como deixar de admirar a coragem na realização de Cape Fear e no envolvimento de atores consagrados, que poderiam ter suas carreiras severamente prejudicadas devido ao conteúdo denso do filme, até hoje impactante.

cape fear 1

Comecemos pelo vilão, Max Cady, o criminoso encarnado por Mitchum. Que personagem é esse? Nada mais nada menos do que um estuprador, um maníaco sexual, um sujeito que, como diz uma das suas vítimas, representa “o mais baixo que se pode atingir”. Sua meta, desde o começo da trama, consiste basicamente na destruição total da família do protagonista Sam Bowden, o advogado criminalista que, anos antes, atuou como testemunha do processo que levou à prisão do criminoso por estupro.

Depois de passar oito anos preso, Max Cady retorna com o objetivo deliberado de se vingar do rival. E, sendo o maníaco sexual que é, sua vingança deve necessariamente passar pelo estupro da esposa e da filha do advogado. “Primeiro as damas”, deve passar pela sua mente doentia. Ademais, é um cínico: durante o tempo que passou encarcerado, estudou a ciência do direito e as leis com o único propósito de se respaldar na sua atividade delituosa (embora algumas das ponderações que faz sejam absolutamente corretas, mas essa questão foge dos propósitos deste texto…). Percebe, então, que pode fazer a lei atuar ao seu lado, já que o direito penal, via de regra, não pune os atos preparatórios ao crime. 

Também não podemos esquecer do personagem de Gregory Peck, da sua mudança frente à ameaça de ter sua vida dilacerada subitamente. Inicialmente, tenta resolver a situação dentro de um procedimento respaldado pela lei – embora, como dito antes, sua aproximação com o delegado de polícia com o objetivo de coagir o rival para abandonar a cidade não seja juridicamente correta -, mas em determinado momento perde as estribeiras e chega até mesmo a contratar outros criminosos para “dar uma lição” em Max Cady, conduta que poderia lhe custar a inscrição na ordem dos advogados. Aos poucos, percebe que não poderá solucionar a questão com a retórica, não lhe restando outra saída senão atuar mediante a violência física. 

cape fear 8

Pois bem, além do interessante estudo de personagens, predomina no filme a densidade sexual, que verdadeiramente permeia a sua atmosfera do começo ao fim. E existe um fator adicional que torna a obra extremamente subversiva, até mesmo para os padrões atuais: a indisfarçada ameaça de estupro do criminoso contra a filha de Sam Bowden, uma pré-adolescente que aparenta ter no máximo 14 anos. Não por acaso o filme precisou receber 162 cortes para poder ser exibido nos cinemas como impróprio para menores de 18 anos. Nas palavras dos censores da época, devido “ao constante assédio sexual à criança, em uma sociedade temente a Deus, não podemos deixar esse tipo de pornografia livre em nossos cinemas”.

cape fear 7

De fato, a ameaça sexual contra a menor chega, no ápice da trama, ao explícito, quando Robert Mitchum ingressa no barco onde ela está escondida para raptá-la e estuprá-la (o que, felizmente, não acontece, devido à intervenção de Gregory Peck). E antes mesmo havia quase chegado às vias de fato com a mãe, em uma cena primorosa com a atriz Polly Bergen (que poderia facilmente ter se recusado a se “expor” da forma como aconteceu, com forte teor sensual), extremamente bem filmada e fotografada em preto e branco. 

Então, basicamente temos uma família tradicional americana que luta contra a crescente ameaça de violação sexual, com todas as consequências psicológicas que este terrível processo pode causar. Não aquele processo regulado juridicamente, dependente da linguagem das provas, mas um processo exclusivamente humano, imprevisível, provocado pela mente doentia de um maníaco que pretende infligir o mal custe o que custar. Neste processo não há o que fazer senão lutar pela sobrevivência.

cape fear 6

Concluindo, Círculo do Medo é um filme extraordinário, que faz com que congelemos no sofá até a cena final, também primorosa, quando Gregory Peck, podendo assassinar Robert Mitchum a sangue frio, decide que a justiça deverá ser cumprida, com o retorno do criminoso à prisão, e neste momento reassume a sua posição de defensor da lei. Vale destacar também a influência hitchcokiana do filme: fotografia em preto e branco similar à de Psicose, trilha sonora estupenda de Bernard Herrmann, a presença de Martim Balsam no elenco, e até mesmo a utilização de um mesmo cenário em determinada cena (a casa da Sra. Bates se transforma no motel onde Mitchum leva uma de suas vítimas para ser espancada). Terrific!

Cotação: 5/5

Meus filmes preferidos de 2016

Nada melhor do que uma pequena lista para começar um novo blog.

Já estamos praticamente no meio de 2017, então considero que deu para ver uma quantidade considerável de filmes do ano passado, pelo menos aqueles que receberam maior atenção da crítica.

Pois bem, como o tempo que nós temos para ver filmes é bastante escasso – e também porque existem centenas de filmes mais antigos que têm prioridade sobre os lançamentos, porque são presumivelmente melhores -, simplesmente não dá para acompanhar as obras mais recentes com afinco, de modo a fazer uma lista definitiva (o que, convenhamos, é quase um objetivo inalcançável). Tal trabalho deve ficar a cargo dos jornalistas que ganham a vida vendo e falando sobre filmes. Não é o meu caso.

Portanto, a listinha abaixo não tem nenhuma pretensão em ser levada a sério. É bem provável que, se fosse rever todos os títulos, acabaria tirando um ou outro da lista (que, diga-se de passagem, está longe de ser inspiradora, tendo em vista que o ano de 2016, para mim, foi um tanto decepcionante no cinema). Pois bem, sem mais delongas, eis o meu TOP 10 particular, com as respectivas cotações.

1. Elle (Idem, Paul Verhoeven) – 5/5

elle isabelle

2. A Chegada (Arrival, Dennis Villeneuve) – 4/4

arrival

3. Personal Shopper (Idem, Olivier Assayas) – 4/4

personal shopper

4. Aquarius (Idem, Kleber Mendonça Filho) – 4/4

aquarius

5. Até o último homem (Hacksaw Ridge, Mel Gibson) – 4/4

Hacksaw Ridge, 2016)

6. Sully – O Herói do Rio Hudson (Sully, Clint Eastwood) – 4/4

sully

7. Animais Noturnos (Nocturnal Animals, Tom Ford) – 3.5/5

animais noturnos

8. Toni Erdmann, Idem, Maren Ade) – 3.5/5

toni erdmann

9. O Homem das Trevas (Don’t Breathe, Fede Alvarez) – 3.5/5

Don't Breathe, 2016

10. A Autópsia (The Autopsy of Jane Doe, André Ovredal) – 3.5/5

a autopsia

Bônus: 1 o mais superestimado (ao lado de La La Land): 

moonlight

Bônus 2: O que todo mundo desceu o pau mas eu gostei

neon demon

Bônus 3: A maior decepção (embora não seja ruim):

silence scorsese